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Arquivo da Categoria: Os Autores

Quem somos

Tiago João Silva

Faço parte da fornada humana de 1977.

Tive um percurso totalmente técnico-científico (com uns anos de permeio em Engenharia Aeroespacial no I.S.T.) antes de tirar o curso de Som para Cinema da E.S.T.C. (vulgo “Conservatório”).

Rapidamente desejei passar para lá do que me davam para aprender e longas tardes na biblioteca da E.S.T.C levaram-me a acreditar que havia outras formas de proceder além do artesanato pueril que praticávamos na escola e que depois me vim a aperceber (para grande choque meu) também era praticado fora dela.

Felizmente pude ingressar na ConceptFilms em 2002 e aprender o que a Escola era completamente incapaz de me ensinar, especialmente no que tocava à pós-produção. O meu maior desejo era aprender os métodos; eu sabia que eles tinham de existir, não era possível re-inventar a roda para cada filme e cair sempre nas mesmas armadilhas, mas parecia que ninguém os conhecia (excepto o Branko Neskov e o Pedro Ribeiro).

Na altura era fácil, o caminho de um filme na pós-produção não variava muito porque a origem era sempre filme, mas deu-me bases para agora compreender a multiplicidade de workflows resultante de haver 6 formatos digitais de rodagem estabelecidos e mais alguns que os produtores com ilusões de Tio Patinhas insistem em inventar.

Na ConceptFilms (e mais tarde na Tobis) dediquei-me sobretudo a gravação de dobragens, foley, masterização para TV e DVD de misturas cinema, e aquilo de que me orgulho especialmente, restauros de som de filmes portugueses (levo quase 40). Também fiz a montagem de som de algumas longas-metragens (“Sans Elle”, “Lavado em Lágrimas“, “Encontros”, “Altar”, “Retornos” e “E o Tempo Passa”). Também fiz montagem de som e mistura para algumas curtas-metragens, vários documentários, e assistência de mistura em algumas longas-metragens.

Extrapolando a minha experiência de restauro de som para os métodos de restauro em abstracto, fiz parte de equipa que organizou o processo de restauro digital dentro do processo Digital Intermediate da Tobis. A minha responsabilidade foi o desenho da infra-estrutura informática e dos processos técnicos de restauro de imagem (o resto, scanning e correcção de cor, não foi responsabilidade minha, até porque não tinha competência nem formação para tal).

Cometi muitos erros no trabalho e na vida mas só me arrependo daqueles dos quais fui muito lento a tirar ilações. Tenho muito pouca paciência para choradinhos, faltas de brio e desculpas de mau-pagador. Sou tão exigente com os outros como sou comigo.

E estou muito zangado com a maneira displicente com que o Cinema Português é tratado (novo ou velho, tanto faz), quer pelo público em geral, quer pelos próprios intervenientes (criadores e técnicos por igual). Salvam-se as honrosas excepções do costume, que gostaria que encontrassem neste blogue a sua casa.

 
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Publicado por em 18 de Julho de 2011 em Os Autores, Sobre